Não existe um trabalho estatístico no Grande ABC que comprove o que a poluição tem causado de mal à população. Os postos de saúde, principalmente no que se refere ao atendimento às crianças, deveriam realizar um levantamento, principalmente relacionados às doenças respiratórias, aliadas ao local de moradia do paciente. Com certeza muitas crianças vizinhas de indústrias entrariam para as estatísticas de doenças causadas pela poluição atmosférica. É evidente que somada a poluição industrial temos a poluição provocada pelo tráfego de veículos nos grandes corredores. Os esgotos que correm à céu aberto, e a água que é consumida sem tratamento, são responsáveis por parte dos óbitos infantis, na Região Metropolitana e no Grande ABC. A falta de saneamento básico se dá, por incrível que pareça, no entorno da represa Billings, já que por ser um local afastado, pessoas e empresas inescrupulosas jogam lá seus dejetos, sendo comum também, a criação de porcos com lavagem (resto de alimento) em pocilgas clandestinas, ocasionando dessa forma doenças que são levadas pelos esgotos à céu aberto. Outro fator grave de poluição na região industrializada que é o Grande ABC, é aquela intra-muros, em que o operário é "obrigado" a ficar exposto dentro da fábrica, durante várias horas por dia, ao excesso de ruído, calor e agentes químicos, como benzeno, chumbo e mercúrio. A manutenção inadequada de máquinas e a falta de equipamentos de proteção, tem provocado acidentes graves e mortes dentro das indústrias e na construção civil. Para se ter uma idéia do quanto o trabalhador brasileiro está exposto à sua própria sorte, enquanto na Argentina e outros países não se trabalha mais com o amianto, na fabricação de caixas d'água, telhas, etc, no Brasil manipula-se este elemento cancerígeno. São poucas as cidades brasileiras que aboliram este produto e o Estado de São Paulo proibiu o uso do amianto, somente a partir de 2005. É culpa somente do sindicato da categoria? Não, é de toda a sociedade que não cobra das autoridades as devidas soluções para esses problemas. As péssimas condições no ambiente de trabalho tem gerado um exército de mutilados, contaminados e mortos. Conforme matéria do jornal Diário do Grande ABC, de 20 de maio de 2001, no Brasil para cada 1 milhão de trabalhadores, 150 morrem em decorrência das péssimas condições a que estão submetidos os nossos operários, enquanto nos EUA esses números são de 5 mortes para 1 milhão de trabalhadores. Muitos trabalhadores do Grande ABC se encontram contaminados, devido ao contato com o mercúrio, um metal pesado que afeta, principalmente, o sistema nervoso central. Esse metal é um contaminante cumulativo, isto é, permanece no organismo por toda a vida. Suspeita-se que a própria população vizinha à uma industria poluente localizada em área de mananciais e que tenha consumido o peixe da represa Billings, pescado nas imediações dessa empresa, corre o risco de contaminação por mercúrio, já que os vazamentos desse metal, oriundo da fábrica para as águas do reservatório nem sempre são detectados.
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Em 1975, uma mistura de amônia e flúor, formou uma nuvem ácida que provocou pânico e fuga de moradores dos bairros Campestre e Jardim, no município de Santo André. Esse gás vazou das indústrias Copas, Iap e Indag.
Em 1984 foi a vez dos moradores do jardim Ana Maria e Santo Alberto passarem mal, quando uma nuvem de amônia atingiu aquela região. Muita gente não conseguiu respirar, nem dentro de casa, devido ao gás que vazou do Pólo Petroquímico de Capuava.